Não pude escrever escrever mais cedo. A cidade não me deu tréguas: mal cheguei foi um corropio com as malas: primeiro dar com o hostel, depois procurar um apartamento, fora os transportes, os câmbios, o telemóvel. Mas, por fim, tudo parece tratado. Vou só fazer algumas considerações rápidas, em lista, que o cansaço não me permite uma prosa fluente.
- 7 milhões de pessoas num espaço que equivale a metade da Área Metropolitana do Porto. Nunca me senti tão pequeno! Mas também nunca me senti tão distinto: é raríssimo avistar ocidentais (nestes dois dias não contei mais de 20 ou 30).
- Cheguei numa altura em que as pessoas celebram um feriado mais comercial que o Natal, o Ano Novo Chinês. Nas ruas mais concorridas não há qualquer possibilidade de não andarmos aos encontrões ou de não sermos pisados. A mais famosa revista da cidade, a HK Magazine (um misto entre "Destak" e "Time Out") tem como capa esta semana How to survive the CNY (chinese new year).
- Mal cheguei senti um cheiro insuportável pela cidade que me deixava (e deixa) instantaneamente enjoado. Vim a saber o que era esse cheiro: noodles.
- Uma coisa boa: as pessoas adoram cinema! Há imensas salas espalhadas pela cidade, inclusive uma "Cinemateca", gerida pela maior empresa exibidora cá do sítio. No próximo mês vão organizar um ciclo de cinema europeu. Portugal estará representado pelo filme... "Call Girl". As intenções eram boas.
- É absolutamente paradoxal ter existido e continuar a existir um tão fundamentalista templo ao Capitalismo liberal nesta China comunista. O apelo ao consumo, a desregulamentação da iniciativa, a sede pelo lucro superam em muito o que qualquer um de nós considera razoável. Em Julho volto para Portugal um fervoroso defensor da economia de planificação central.
- Não há casas de banho em quase nenhum sítio. Parece que não mas chateia.
- Sobre os nativos: não são muito dados a meter conversa (o que não é necessariamente mau); parecem amistosos e acessíveis, mas pecam por falta de cortesia e, o que nós chamamos, "agir por boa educação".
- O alimento de que mais sinto a falta é sem dúvida o café. Só servem daquela água choca nojenta, e ainda cobram por isso um pequeno balúrdio. Hoje passei por uma loja da Nespresso; inconscientemente fiquei com um sorriso nos lábios (que durou até reparar do preço daqueles brinquedos). E sim, é definitivo: odeio a Starbucks, a marca mais pretensiosa e sobrevalorizada do mundo - estupidamente cara e com café de péssima qualidade. Não percebo mesmo a fama que tem.
Não sei que mais vos diga nem que vos conte. As fotos dirão o que falta.
- O alimento de que mais sinto a falta é sem dúvida o café. Só servem daquela água choca nojenta, e ainda cobram por isso um pequeno balúrdio. Hoje passei por uma loja da Nespresso; inconscientemente fiquei com um sorriso nos lábios (que durou até reparar do preço daqueles brinquedos). E sim, é definitivo: odeio a Starbucks, a marca mais pretensiosa e sobrevalorizada do mundo - estupidamente cara e com café de péssima qualidade. Não percebo mesmo a fama que tem.
Não sei que mais vos diga nem que vos conte. As fotos dirão o que falta.
O Ano Novo Chinês deve ser mesmo fixe de se ver, com aqueles dragoes de papel pela rua... (pelo menos é o que eu imagino pelos filmes e do Chihiro)
ResponderExcluirQuanto ao Call Girl, pelo menos não se esqueceram de Portugal, vá lá!
Não há WC nem mesmo nos restaurantes e cafés?
E por essas razões é que eu não gosto de café, assim nunca terei desilusões quando viajar eheh
Adorei o relato! Conta mais conta mais
ResponderExcluireles sao mesmo baixinhos? lol e sao porcos? :x
Maria (da fep)
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirStarbucks é mesmo mau. Mas parece-me que não é uniformemente mau, há países em que é pior, talvez a China seja um desses. Os preços é que são igualmente ridículos em todo o lado. É um bocado incompreensível como é que esses gajo têm 16 mil lojas em todo o mundo.
ResponderExcluirEspero que ninguém te tenha rasgado a narina à facada.
Ainda não, Belmiro. Mas também não me tenho aventurado muito! Mas descansa, o escritório da empresa fica em Wan Chai que é, digamos, o equivalente hongueconguiano do Red Light District de Amsterdão. Máfia, putas e vinhos do Douro!
ResponderExcluirOntem passei o dia a ressacar por falta de café nas veias. Hoje já estou melhor, mas ainda vou tendo umas crises, sobretudo de manhã e a seguir ao almoço.
É verdade: já vi o novo filme da Sofia Coppola! Já anda por aqui. Hum, parece que ela deixou-se de projectos megalómanos e fez uma coisa mais simples e intimista - é um road movie (com pouca road, é verdade, mas a "busca" é sempre o elemento central). É uma espécie de Jarmusch com piada. (o Ramires que leia isto, ahah!)
A minha experiência de Jarmusch é pequena (Ghost Dog, Broken Flowers) mas acho que o senhor até tem algum sentido de humor, muito understated, mas está lá. Estou com expectativa para esse filme. Desde aquele primeiro frame do Lost in Translation que espero boas coisas da Sofia Coppola.
ResponderExcluirMáfia, putas e vinho do Douro. Parece que foste parar ao sítio certo para trazer histórias para contar.
Abraço
(ditado pela Avó Lurdinhas)
ResponderExcluirPedro, estive em Aveiro. Li agora tudo o que tu escreveste. Tem paciência, que aos pouco vais aprendendo algumas coisas, sobretudo a cozinhar.
Beijinhos daqui de todos.
Obrigado, beijos para aí também!
ResponderExcluirSim, com o tempo hei-de apanhar o jeito ;)